No princípio da legalidade ambiental brasileira, encontramos no Artigo 3º da Lei Nº 6.938 de 1981, também conhecida como Política Nacional do Meio Ambiente, a definição de Meio Ambiente: “conjunto de condições, lei influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas.” Assertivamente, o pontífice da Igreja Católica, Papa Francisco, resume o meio ambiente em uma de suas pregações, como sendo, 

“O bem coletivo, patrimônio de toda a humanidade e responsabilidade de todos.”

Diante desse contexto, o meio de Inhumas, com seu ambiente de finitudes e imperfeições, influência o município desde as raízes de seu nome e apelido. A Goiabeira das Inhumas. A Inhumas das Goiabeiras.

A cidade do Lago Luzio de Freitas, do “Prédio do Lago”, da Praça Belarmino Essado, da antiga boate “Catedral”, de povos italianos, japoneses, espanhóis, portugueses, sírio-libaneses e brasileiros. Interações que se complementam enquanto meio ambiente inhumense.

Do alto dos 900 metros de altitude do Morro do Monte Alegre (codinome Morro do Lalau) tudo se avista: a convergência de casas, comércios, industrias e ruas, cercadas a sudeste pelo relevo acentuado do Serra Abaixo, e a nordeste pelas margens do Rio Meia Ponte.

Uma completude, que possibilita a, hoje imperfeita, sinergia da economia, sociedade e ambiente local.

Embora, o Art. 225 da Constituição Federal assegure o direito de todos a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, como imposição ao Poder Público e a coletividade do dever de defendê-lo e preservá-lo para as gerações vindouras, no meio de Inhumas especificamente, algo fugiu do “prumo” e desiquilibrou o ambiente, ao reduzir seus recursos ao meio,  que outrora fora inteiro.

Ironicamente, uma cidade batizada (batismo é o nome do ritual do primeiro sacramento do cristianismo, que apaga o pecado original de quem o recebe) com nome e apelido advindos de fauna e flora caraterísticas de sua localidade, hoje peca na ausência de suas antigas abundâncias naturais, que estão reduzidas à infimidade de um desequilíbrio, fruto da ação antrópica.

Assim, uma vez pecadora, a cidade de Inhumas deveria se confessar (confissão é o sacramento que envolve o perdão de pecados perante um sacerdote), buscando a sua penitência (reparação de danos causados pelo pecado), enquanto ainda é tempo.

Por fim, conclama-se pelo reequilíbrio do meio ambiente de Inhumas, com pautas eminentes de discussão e execução do poder público e comunidade local, voltadas para ações de combate ao desmatamento e de preservação de nascentes, fauna e flora.

Uma vez que, segundo Papa Francisco, se perguntássemos hoje ao Senhor o que Ele pensa sobre tudo isso, “diria que não é uma coisa muito boa, afinal estamos arruinando a obra de ele”.